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Showing posts from March, 2026

Quando a mente cansa antes do corpo

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O cuidado com a saúde mental na imigração Existe algo sobre a imigração que ninguém prepara a gente: o quanto a nossa mente precisa ser forte para sustentar tudo o que o coração sente. A gente fala de documentos, trabalho, idioma… mas pouco se fala sobre o cansaço emocional de recomeçar. Todo mundo posta só o lado lindo da imigração nas redes sociais. E isso nos torna muito vulneráveis quando estamos vivendo o processo real. Porque mostrar o processo não é fácil. Eu admiro quem expõe publicamente a sua vida como ela é. E, ainda assim, consegue se reerguer apesar das julgamentos e dos desafios que vão surgindo. Sobre quem evidencia o “deixar de ser quem era”, sem ainda saber exatamente quem está se tornando. É lindo acompanhar esse processo, principalmente quando você enxerga os pequenos resultados. Na vida do outro. Porque a grama do vizinho é sempre mais verde, certo? E é justamente aí que o cuidado com a saúde mental deixa de ser um luxo… e passa a ser necessidade. Eu tenho a...

O que ninguém conta sobre ser mãe fora do seu país

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Ser mãe imigrante: viver entre a culpa, a força e a ausência de apoio  Existe uma realidade sobre ser mãe no exterior que quase ninguém fala. Além da falta de rede de apoio. Ou melhor… a ausência dela. E, quando existe, é limitada. Limitada pelo dinheiro. Limitada pela confiança. Limitada pelas circunstâncias. Porque nem sempre conseguimos pagar por um lugar seguro para deixar nossos filhos. E nem sempre temos alguém de confiança com quem contar. E aí começa um dos maiores desafios da mulher imigrante: Como conciliar maternidade… com sobrevivência? Conseguir um trabalho flexível, que permita levar e buscar os filhos na escola… é quase como ganhar na loteria. Agora, se esse trabalho ainda for bem remunerado… parece até milagre. E quando isso não acontece? Vem uma sensação difícil de explicar. A sensação de ser subestimada. Com opções limitadas e desgastantes de trabalho. Faxina, na maioria das vezes. Ajudante de cozinha. Babá. Nos levando a crer que é melhor ficar em casa… ...

A imigração mudou nosso casamento

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Quando o amor muda, mas não acaba Eu e meu marido estávamos conversando ontem sobre um reels que ele viu no Instagram… sobre casais que vivem fora, que são imigrantes, sobre como é mais desafiador manter o casamento, manter a chama acesa. E aquilo ficou ecoando na minha cabeça. Porque se a rotina de um casal no seu país de origem já é desafiadora… imagina quando você adiciona tudo o que a imigração traz junto. A gente não está só lidando com um relacionamento. A gente está lidando com duas pessoas tentando se reconstruir… ao mesmo tempo. Duas histórias. Duas bagagens. Duas versões antigas de si mesmas… que já não existem mais. E, no meio disso tudo, dois filhos que também estão tentando se encontrar nesse novo mundo. Às vezes parece que estamos equilibrando vários pratos girando ao mesmo tempo… e tem horas que simplesmente… eles caem. Porque são muitos estímulos. Muitos desafios. Muitas pressões. E a gente esquece de uma coisa muito importante: somos humanos. Viemos para esse mu...

Estudar em casa é mais difícil do que parece

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Trabalhar e estudar em casa parece liberdade - até você viver isso na prática Tem dias que eu sento na frente do computador e penso: "que m... que eu inventei pra minha vida?" Como imigrante, buscando sair de entry level jobs, procurando uma nova versão de mim mesma, decidi que 2026 seria o ano da virada. Fiz um pacto comigo mesma de construir uma carreira que me desse liberdade geográfica, estabilidade financeira e presença na vida da minha família. E foi assim que comecei a estudar uma nova profissão na área de T.I. Parece loucura né?  No começo do curso tudo era empolgação. Tudo parecia curioso, possível e até divertido. Eu sempre amei línguas - então pensei: “vou aprender novas linguagens… só que dessa vez, de programação.” Mas aí veio o encontro com a realidade. Nem sempre a nossa mente acompanha o nosso sonho. Existe uma resistência em mim. Silenciosa, mas constante. Principalmente quando envolve lógica, matemática… Esse tipo de raciocínio mais exato. Eu venho das human...

Meu celular sumiu e eu percebi o quanto dependo dele

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 Quando eu perdi meu celular e quase perdi a mim mesma... Ontem eu fui dormir sem saber onde estava meu celular. O que, pra muita gente, pode parecer algo banal, pra mim não é. Eu ando com ele pela casa como se fosse um cordão umbilical. Levo pra cozinha, pro quarto, pro banheiro… sempre com uma música tocando, um podcast rolando, resolvendo alguma coisa, falando com quem amo. Mas ontem, eu estava tão cansada de estudar, tão exausta mentalmente, que simplesmente apaguei. Sem checar. Sem procurar. Sem nem perceber. Hoje pela manhã, acordei com uma sensação estranha. Um vazio pequeno, mas incômodo. Como se estivesse faltando alguma coisa. Abri os olhos e vi o relógio: 06:42. Na hora, um leve desespero. Eu normalmente acordo às 06:30, não só pra levantar, mas pra começar o dia com calma . Respirar. Orar. Me alinhar antes de acordar os meninos. E ali, naquele momento, já me senti atrasada. Desorganizada. Fora do eixo. Levantei e comecei a procurar o celular nos lugares mais óbvi...

Por que morar fora pode te deixar mais carente?

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Nunca me senti tão carente quanto me sinto morando fora. E é estranho dizer isso, porque não é uma carência comum. Não é simplesmente falta de pessoas. É falta de presença… de conexão… de reconhecimento no olhar. É uma sensação difícil de explicar: a de perder rostos familiares, com ou sem muita intimidade. Aquelas pessoas que, só de olhar, a gente já sente que conversou tudo… sem dizer uma palavra. Quando a gente mora no exterior, algo muda dentro da gente. A gente se apega mais fácil. Fica mais sensível. Mais aberto. Mais carente, talvez. E quando a gente imigra mais de uma vez… muda mais ainda. A nossa versão de nós mesmos muda. E, com isso, nossas amizades, afinidades, prioridades… tudo vai se reorganizando. Aqui no Canadá, em dois anos, eu já perdi pessoas que eu considerava família do coração. E não foi por briga, nem por ruptura… Foi a vida acontecendo. Pessoas seguindo caminhos lindos, necessários, maiores do que aquilo que eu consigo entender agora. E mais uma v...

Quem sou eu?

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Se alguém me perguntasse isso alguns anos atrás, talvez eu respondesse com títulos, como aprendi a fazer. Prazer, Priscila. Advogada. Especialista em direito internacional. Mãe. Imigrante. Mas a vida tem uma maneira curiosa de desmontar as respostas prontas que damos sobre nós mesmos. A imigração, especialmente, tem esse poder. Quando atravessamos fronteiras, não mudamos apenas de país. Mudamos também de referências, de certezas e, muitas vezes, da maneira como nos vemos. Está sendo assim comigo. Nasci no Brasil. Vivi em Israel. Hoje vivo no Canadá. Entre essas geografias, existe uma jornada muito maior do que quilômetros percorridos. Existe a jornada interna. A jornada de recomeçar. De aprender a falar uma língua, e mais outra língua. De construir uma vida do zero. De sentir saudade. De descobrir forças que você nem sabia que tinha. Sou mãe de dois meninos que me lembram todos os dias que coragem também é continuar tentando, mesmo quando não sabemos exatamente co...