O que ninguém conta sobre ser mãe fora do seu país



Ser mãe imigrante: viver entre a culpa, a força e a ausência de apoio 

Existe uma realidade sobre ser mãe no exterior que quase ninguém fala.

Além da falta de rede de apoio.

Ou melhor…
a ausência dela.

E, quando existe, é limitada.

Limitada pelo dinheiro.
Limitada pela confiança.
Limitada pelas circunstâncias.

Porque nem sempre conseguimos pagar por um lugar seguro para deixar nossos filhos.
E nem sempre temos alguém de confiança com quem contar.

E aí começa um dos maiores desafios da mulher imigrante:

Como conciliar maternidade… com sobrevivência?

Conseguir um trabalho flexível, que permita levar e buscar os filhos na escola…
é quase como ganhar na loteria.

Agora, se esse trabalho ainda for bem remunerado…
parece até milagre.

E quando isso não acontece?

Vem uma sensação difícil de explicar.

A sensação de ser subestimada.
Com opções limitadas e desgastantes de trabalho.

Faxina, na maioria das vezes.
Ajudante de cozinha.
Babá.

Nos levando a crer que é melhor ficar em casa…
porque esse tipo de trabalho “ranca o couro”.

E, no meio disso, perdemos o controle da casa, do marido, dos filhos…
e, muitas vezes, de nós mesmas.

Ou…

A sensação de não estar trabalhando.
De depender financeiramente do marido.
De não conseguir contribuir como antes.

Com a mente cheia…
pensando em problemas que poderiam ser resolvidos
se a gente estivesse contribuindo financeiramente.

Porque hoje existe um julgamento silencioso
sobre a mulher que não trabalha.

E isso dói.
Fere o ego.

Principalmente para a mulher que sempre prezou pela própria independência.

Para quem gosta de viver bem, conquistar, crescer…
para quem tinha uma profissão estabelecida no Brasil,
essa limitação gera muita frustração.

Uma sensação de estar presa.
Bloqueada.
Parada no tempo.

Eu mesma já me peguei pensando:

“Se eu não tivesse filhos… eu estaria livre.”

Mas isso é uma ilusão.

Porque o melhor da vida
é estar cercada de quem a gente ama.

E nossos filhos são bênçãos infinitas.

O problema não é a maternidade.

O problema é uma sociedade que ainda não sabe acolher mães.

Que não cria espaço real para que a mulher consiga ser mãe e profissional…
sem precisar escolher.

E quando a gente tenta equilibrar tudo…
seja por necessidade ou para se encaixar no padrão social…

acabamos aceitando trabalhos ruins.

Vivemos:

Sob pressão exaustiva.
Sob medo de não dar conta.
Sob ameaça constante de perder o emprego.

Simplesmente por ser mãe.

Porque a mãe, normalmente, vive quatro turnos de trabalho quando está fora de casa:

1º Educação e cuidado dos filhos;
2º Trabalho externo (remunerado);
3º Gestora e funcionária do lar (acumulando funções);
4º Companheira: muitas vezes responsável também pelo bem-estar físico e emocional do parceiro.

E aí eu me pergunto:

Onde sobra espaço para o autocuidado?
Para o próprio descanso?
Para simplesmente… existir?

E eu fico pensando nas mães imigrantes solo,
as que não têm parceiro
e as que, mesmo tendo, carregam tudo sozinhas.

Ah… que força essas mulheres têm.

É algo que eu admiro profundamente.

Porque deve ser surreal.

Já ouvi cada história…

As renúncias.
O peso.
Os riscos.
A responsabilidade.

Deveria ser proibido exigir de uma mãe que ela escolha,
entre crescer profissionalmente ou acompanhar o crescimento dos filhos.

Porque nenhuma dessas escolhas deveria existir.

Embora, se pensarmos bem… talvez exista um paradoxo aí.

Porque parece impossível exercer tudo com maestria,
e, inevitavelmente, alguma área acaba ficando em segundo plano.

E ainda assim… seguimos.

Entre culpas, renúncias e tentativas de dar conta.

E mesmo quando a gente sente que não vai conseguir…

Deus conhece cada renúncia silenciosa que fazemos.
E sustenta cada passo, até aqueles que damos com medo.

Toda honra e glória a Ti, Senhor,
por nos sustentar e nos guiar,
mesmo quando não percebemos o Teu cuidado…
sobre nós e sobre os nossos filhos.

Foto de Daria Obymaha: https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-mae-e-filho-1684127/

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