Estudar em casa é mais difícil do que parece
Trabalhar e estudar em casa parece liberdade - até você viver isso na prática
Tem dias que eu sento na frente do computador e penso:
"que m... que eu inventei pra minha vida?"
Como imigrante, buscando sair de entry level jobs, procurando uma nova versão de mim mesma, decidi que 2026 seria o ano da virada.
Fiz um pacto comigo mesma de construir uma carreira que me desse liberdade geográfica, estabilidade financeira e presença na vida da minha família.
E foi assim que comecei a estudar uma nova profissão na área de T.I.
Parece loucura né?
No começo do curso tudo era empolgação.
Tudo parecia curioso, possível e até divertido.
Eu sempre amei línguas - então pensei:
“vou aprender novas linguagens… só que dessa vez, de programação.”
Mas aí veio o encontro com a realidade.
Nem sempre a nossa mente acompanha o nosso sonho.
Existe uma resistência em mim.
Silenciosa, mas constante.
Principalmente quando envolve lógica, matemática…
Esse tipo de raciocínio mais exato.
Eu venho das humanas. Da abstração. Das teses.
Sou analítica. Questionadora. Reflexiva.
E às vezes me pego pensando:
"será que isso é suficiente nesse novo caminho?"
Ultimamente, tenho quebrado a cabeça - não só com códigos, mas com algo ainda mais difícil:
🠞 foco e disciplina.
E aí me diz…com você também é assim?
A batalha invisível do dia a dia
Aqui em casa, trabalhando e estudando sozinha, eu travo batalhas silenciosas com a minha própria mente:
“Vamos fazer o que é desconfortável?” ou
“Vamos só dar uma olhadinha no celular primeiro?”
E quando vejo… já fui.
É uma luta diária.
Ainda mais quando você decide recomeçar aos 40 anos.
Na idade em que sua vida deveria estar estável.
Mas a verdade é: que você escolheu recomeçar do zero e além disso idade não define capacidade.
Constância sim.
Nunca fui a mais inteligente. Mas sempre fui a mais persistente.
Eu nunca fui aquela pessoa que aprende tudo com facilidade. Autodidata.
Mas sempre fui esforçada. Disciplinada à minha maneira.
Foi assim que construí todo meu conhecimento até hoje.
Meu lema sempre foi simples:
“Eu não preciso me sentir bem para continuar. Eu só preciso continuar”
Como uma formiguinha (que ama doces), fui conquistando meu espaço.
Só que agora, tem algo que está me incomodando profundamente.
O vício que ninguém fala... (ou todo mundo finge que não tem)
O meu vício no celular.
E eu preciso ser honesta sobre isso.
Não é nem pelas redes sociais em si…
É o hábito de pegar o celular.
Checar. Atualizar. Procurar alguma novidade.
E muitas vezes… nem tem nada relevante ali.
Mas quando percebo, já perdi foi tempo.
Já perdi foco. Isso me dá uma raiva de mim mesma.
Já adiei o que realmente importava.
Quando a rotina se perde, a gente se perde junto, e porque eu falo isso?
Recentemente, mudamos de casa.
E junto com a mudança… parece que minha rotina foi embora também.
Meu tesão para estudar algo que não é a minha praia, simplesmente sumiu.
E reconstruir isso está sendo MUITO mais difícil do que eu imaginei.
Curiosamente, percebi algo sobre mim:
👉 Eu sou mais produtiva quando não estou sozinha.
Quando meu marido ou meus filhos estão em casa, eu funciono melhor.
Mesmo amando a solitude.
Porque quando estou sozinha… minha mente negocia comigo.
E, muitas vezes, ela ganha.
Como dizia minha avó:
“mente vazia é oficina do capeta.”
E não é que faz sentido?
O cérebro não quer seus sonhos. Ele quer conforto!
Esses dias ouvi algo que ficou ecoando em mim.
O Rafael Gratta, em um vídeo dele do YouTube ("Se você é ambicioso mas inconsistente, por favor assista isso") disse:
“Se o próximo ano da sua vida for igual ao ano passado, não é porque você não tentou mudar…
é porque o seu cérebro defendeu com sucesso o que já é familiar.”
Isso me deu um baita choque. Muitas fichas começaram a cair.
O vídeo todo foi muito enriquecedor. Recomendo assistir.
Porque é exatamente isso.
O nosso sistema nervoso não quer crescimento.
Ele quer previsibilidade.
Mesmo que essa previsibilidade esteja nos sabotando.
Então… como mudar?
Eu entendi que não adianta querer mudar tudo de uma vez. Já tentei várias vezes.
Isso só cansa.
Sobrecarrega.
Frustra.
E faz a gente desistir.
Então decidi fazer diferente.
Um hábito de cada vez.
Pequeno. Possível. Sustentável.
E deixo aqui algumas resoluções que estou tentando aplicar pra mim e talvez sirva pra você também:
🌱 Minhas resoluções para reconstruir minha rotina
1. Manhã sem celular (até 09h)
Nem pra música, nem pra “só dar uma olhadinha”.
2. Um lugar fixo na casa para o celular
Se possível, longe do espaço de trabalho.
3. Urgência de verdade = ligação
(Com aviso no WhatsApp: “se for urgente, me ligue”)
4. Música e pesquisa sem depender do celular
(pode ser Alexa, rádio, vitrola ou o seu computador)
5. Substituir fuga por expressão
Tenha um livro leve ou um caderno sempre por perto.
Eu criei o meu: “caderno da raiva” (vale tudo: escrever, xingar, rabiscar)
Você pode criar o hábito de fazer todo dia journaling também, para mim não funciona muito.
Eu uso o caderno, às vezes. Não tenho frequência.
6. Noites mais leves (sem celular após 20h)
Menos estímulo. Mais presença. Mais vida real.
Brincadeira com os filhos.
Um papo cabeça com alguém.
Exercícios de respiração.
No fim das contas…
Eu não tenho tudo sob controle.
Não tenho uma rotina perfeita.
Nem dias 100% produtivos.
Mas eu tenho consciência.
E vontade enorme de mudar.
De desmamar do excesso de dopamina.
E talvez… isso já seja um começo.
Se você também está nessa luta silenciosa,
tentando ser constante em meio ao caos…
você não está sozinho(a).
a gente só precisa continuar.
Continue a nadar, continue a nadar. (como diz a Dory do filme procurando Nemo)
Só por hoje vai. Um dia de cada vez.

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