Quando a mente cansa antes do corpo

O cuidado com a saúde mental na imigração


Existe algo sobre a imigração que ninguém prepara a gente:
o quanto a nossa mente precisa ser forte para sustentar tudo o que o coração sente.

A gente fala de documentos, trabalho, idioma…
mas pouco se fala sobre o cansaço emocional de recomeçar.

Todo mundo posta só o lado lindo da imigração nas redes sociais.
E isso nos torna muito vulneráveis quando estamos vivendo o processo real.

Porque mostrar o processo não é fácil.

Eu admiro quem expõe publicamente a sua vida como ela é.
E, ainda assim, consegue se reerguer apesar das julgamentos e dos desafios que vão surgindo.

Sobre quem evidencia o “deixar de ser quem era”,
sem ainda saber exatamente quem está se tornando.

É lindo acompanhar esse processo,
principalmente quando você enxerga os pequenos resultados.

Na vida do outro.
Porque a grama do vizinho é sempre mais verde, certo?

E é justamente aí que o cuidado com a saúde mental deixa de ser um luxo…
e passa a ser necessidade.

Eu tenho aprendido, na prática, a importância de desenvolver um olhar mais leve,
quase um “olhar de Pollyanna”.

Não de ignorar a dor…
mas de encontrar sentido até nas situações difíceis.

Porque sim, elas existem.
E muitas vezes doem mais quando estamos longe de tudo que nos era familiar,
longe das nossas referências de segurança.

Cuidar da saúde mental, na imigração, também está nas coisas simples:

  • Fazer terapia
  • Ter amigos com quem conversar e distrair a mente
  • Respirar fundo e observar a natureza
  • Praticar um hobby
  • Praticar exercícios físicos
  • Escrever um diário
  • Se permitir ter uma rotina de autocuidado - como um banho demorado

São esses pequenos respiros que nos mantêm inteiros.

Porque quando estamos no olho do furacão,
quando estamos nos refazendo por dentro…

…fica muito mais fácil ser ferido.

Qualquer palavra pesa mais.
Qualquer situação toca mais fundo.
Qualquer aspecto da vida do outro nos incomoda.

Mas, no fim, somos todos seres humanos.
Todos temos nossos desafios.

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”,
já cantava Caetano.

E cada um sabe o peso das escolhas que faz.

Tem algo que eu tenho aprendido,
e que tem mudado a minha forma de enxergar tudo:

Nem tudo que acontece com a gente é sobre a gente.

Muitas vezes, diz mais sobre a história do outro…
do que sobre a nossa.

Somos, em muitos momentos, apenas coadjuvantes na jornada de alguém,
assim como outras pessoas também são na nossa.

E levar tudo para o pessoal…
só nos destrói por dentro.

A vida acontece independente da nossa existência.

É normal a gente se sentir só, às vezes.
Como se estivéssemos caminhando sem direção.
Como se Deus não estivesse ali.

Somos muito imediatistas.
Desaprendemos a esperar pelo tempo de Deus.

Mas Ele está lá.

Mesmo quando não sentimos.
Mesmo quando não entendemos.

Toda situação tem mais de um lado.
Mais de um desdobramento.

Às vezes, perder um voo pode parecer terrível…
mas pode ser exatamente o que permitiu que outra pessoa chegasse a tempo de abraçar a filha no aniversário.

Às vezes, uma falta inesperada…
é o que coloca você no lugar certo, na hora certa, para ajudar alguém.

Nada acontece por acaso.
Mesmo que, naquele momento, a gente não consiga enxergar.

Todos nós temos propósitos.

Alguns são claros.
Outros… só fazem sentido depois.

E, muitas vezes, uma pequena ajuda que oferecemos
pode ser um verdadeiro milagre na vida de alguém.

Talvez seja por isso que somos chamados a viver com fé

A confiar.
A olhar com mais leveza.
A nos colocar à disposição de Deus,
para sermos instrumento na vida de outras pessoas.

Receber bênçãos… sem reter bênçãos.
E poder derramar bênçãos na vida de alguém.

Eu sei…

Não é fácil olhar a vida por um filtro positivo.

Principalmente quando a dor aperta.
Principalmente quando fomos programados para enxergar escassez.
Principalmente quando começamos a duvidar do cuidado de Deus.

Mas, até nos momentos mais difíceis…
Ele continua ali.

Que sejamos como Pollyanna,
que enxergava o cuidado de Deus em tudo que acontecia a ela,
através do “jogo do contente”:

“– Hoje o dia não está muito bonito.
De qualquer modo, estou contente porque não chove sempre.
Seria terrível.”

(Recomendo a leitura - ou releitura.)

E eu espero, de verdade,
que essa mensagem te abrace…
assim como me abraça enquanto escrevo.

Deus te abençoe 💛

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